Mundo Pequeno – Manoel de Barros

mundo pequeno manoel de barros

“O mundo meu é pequeno, Senhor.
Tem um rio e um pouco de árvores.
Nossa casa foi feita de costas para o rio.
Formigas recortam roseiras da avó.
Nos fundos do quintal há um menino
e suas latas maravilhosas.
Todas as coisas deste lugar já estão
comprometidas com aves.
Aqui, se o horizonte enrubesce um pouco,
os besouros pensam que estão no incêndio.
Quando o rio está começando um peixe,
Ele me coisa.
Ele me rã.
Ele me árvore.
De tarde um velho tocará sua
flauta para inverter
os ocasos.”
Manoel de Barros

Poemas

poetizando a vida

“Sonhei um sonho
e lembrei-me  do sonho
e esqueci-me do sonho
e sonhei que procurava
em sonho aquele sonho
e pergunto se a vida
não é um sonho que
procurava um sonho”.
Cecília Meireles

“Mas Eu, alheio sempre, sempre entrando
o mais íntimo ser da minha vida,
vou dentro de mim a sombra procurando”.
Fernando Pessoa

“Não importa que a tenham demolido:
a gente continua morando na velha casa
em que nasceu”.

Mário Quintana

Narrativas de um olhar

narrativas de um olhar

Ela olhava o reflexo do mundo através da janela. Amornava as horas e tecia saudades antigas. Descortinava janelas quebradas, vidros embaçados. Telhados envelhecidos, uma casinha de aranha.

Enveredava na ausência de sonhos esquecidos.  Um olhar em outros horizontes… Acalentava o pingo choroso de saudosa lembrança, mas era dia.

Sentia o sussurrar do vento, vozes abafadas, barulho de passos na calçada. Paredes envelhecidas abundavam em saudade.  Seu mundo? Escuta tudo sem nada ouvir. Enxerga tudo sem nada sentir. Esquecia-se da tristeza que morava na fresta de um olhar.
12/09/2012

Terra dos Homens

terra dos homens

“Não sei o que se passa em mim. Esta força de gravidade me liga ao chão quando tantas estrelas são imantadas. Outra força de gravidade me prende a mim mesmo. Sinto o meu peso que me une a tantas coisas! Meus sonhos são mais reais que estas dunas, esta lua, estas presenças. Oh, o que há de maravilhoso numa casa não é que ela nos abrigue e nos conforte, nem que tenha paredes. É que deponha em nós, lentamente, tantas provisões de doçura. Que forme, no fundo de nosso coração, essa nascente obscura de onde correm, como água da fonte, os sonhos”.
Pág. 60 ♥

Sinopse: “Em Terra dos homens, Saint-Exupéry relata suas memórias de piloto do correio aéreo francês entre 1926 e 1935, assim como suas primeiras aspirações na profissão e seu convívio com outros pilotos e amigos. Sem um fio narrativo rígido, definido, Exupéry utiliza passagens emocionantes e dramáticas de sua experiência para dar suas impressões sobre o mundo, que se acostumou a ver do alto. É, antes de tudo, um livro sobre a morte, a amizade, o heroísmo e a busca de significado”.

Um livro sobre as eternas lonjuras que percorremos para encontrarmos os significados e  vivencias de nós e dos outros.

 

 

 

 

Das Paisagens Conhecidas

das paisagens conhecidas

Solidão dos dias
cadeira de balanço, finas rugas
pinheiros verdejantes, sobreiros
campestres adormecidos pelo nevoeiro.

Cenário dos dias, saudade de São João
refutam previsões apocalípticas,
percalços, despedidas
tecem raízes esquecidas.

Pingo da chuva, latido do cão
ovelhas no pasto, chávena em mãos
letargia da partida,
das paisagens conhecidas de cada estação.

Paisagem em movimento
saudade de outros dias
nostalgia sente, mas é gente contente,
filhos de Abrão.
04/08/2016