Narrativas de um olhar

narrativas de um olhar

Ela olhava o reflexo do mundo através da janela. Amornava as horas e tecia saudades antigas. Descortinava janelas quebradas, vidros embaçados. Telhados envelhecidos, uma casinha de aranha.

Enveredava na ausência de sonhos esquecidos.  Um olhar em outros horizontes… Acalentava o pingo choroso de saudosa lembrança, mas era dia.

Sentia o sussurrar do vento, vozes abafadas, barulho de passos na calçada. Paredes envelhecidas abundavam em saudade.  Seu mundo? Escuta tudo sem nada ouvir. Enxerga tudo sem nada sentir. Esquecia-se da tristeza que morava na fresta de um olhar.

Espera

espera

Sempre existe algo para esperar… Espera-se que a noite acabe e o sol volte a brilhar. Espera-se que a tormenta termine e reine a paz. Que o amanhã seja diferente. Espera-se que a tristeza se transforme em alegria. Espera-se que a dor diminua com o tempo. Espera-se que a ausência seja o relógio do destino marcando a hora do reencontro. Espera-se hoje, amanhã… O futuro é o respirar de mais uma espera.